Como e Quando Iniciar o Assunto sobre Sexualidade com os Filhos?

Muitos pais/educadores esperam o início da puberdade, a fase da adolescência, para dialogar com os filhos ou, em muitos casos, transferem essa responsabilidade para a escola. A sexualidade não se restringe apenas à reprodução e ao desenvolvimento do corpo humano. Ela está presente em qualquer forma de manifestação da afetividade, do nascimento à morte. Pensando amplamente, a sexualidade está no corpo, no pensamento, no sentimento, nos comportamentos, e surge muito antes do bebê nascer, quando ocorre o desejo por ter um filho. Quando o bebê nasce é através do corpo que ele se relaciona com o mundo. A percepção é toda sensorial. Sigmund Freud, pioneiro sobre o desenvolvimento da sexualidade infantil, chamou esta etapa de fase oral, onde o prazer começa pela boca. Por volta dos 2, 3 anos de idade, a criança busca reconhecer seu corpo e do outro, é a fase dos por quês e, naturalmente, ela vai querer saber como veio ao mundo. Entre 4, 5 anos ela começa a ter consciência da sua identidade sexual e estabelece limites entre o eu e o outro. Portanto, em todos os momentos da nossa vida experenciamos a sexualidade. Ela, entretanto, ainda não é discutida de forma natural, por questões culturais, religiosas e até por termos ainda muitos preconceitos, mitos e tabus para vencer.

Prevenção à violência sexual contra criança e adolescente. Quanto antes iniciarmos o diálogo, melhor!

Segundo os dados de pesquisa, apenas 30% dos casos de violência sexual contra criança e adolescente são notificados às autoridades competentes. Em relação as vítimas, a prevalência é do sexo feminino e a faixa etária entre 5 e 11 anos. Em torno de 87% dos abusos são intrafamiliares, ou seja, ocorrem por pessoas conhecidas da vítima, geralmente pai ou padrasto. Por estes dados, podemos compreender que não é possível aguardar a adolescência para desenvolver um trabalho de prevenção. Reforço, novamente, a necessidade de iniciarmos o assunto o quanto antes, tanto nas famílias como nas escolas. Já existe literatura infantil* específica e adequada para abordar esse assunto com crianças a partir de 3 anos, ensinando-as desde pequenas a diferenciar toques abusivos de toques de afeto, amor e cuidado.

Quando recorrer a ajuda profissional?

A exposição ao abuso sexual pode desencadear vários efeitos negativos para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da vítima. Não há um quadro psicopatológico único causado pelo abuso, mas uma variabilidade de sintomas e alterações cognitivas, emocionais e comportamentais em diferentes intensidades. Há alguns indicadores gerais como:

✓ a falta de confiança nos adultos da família;

✓ perturbações severas do sono com medos, pesadelos;

✓ isolamento social, viver em um mundo de fantasia;

✓ comportamento regressivo, por exemplo, aparecimento súbito de enurese;

✓ súbita mudança de humor, tristeza;

✓ mudança de comportamento alimentar;

✓ desobediência, tentativas de chamar a atenção, extrema agitação;

✓ imagem corporal distorcida e baixa autoestima;

✓ distúrbios no aprendizado e na socialização;

✓ expressão de afeto sensualizada ou mesmo certo grau de provocação erótica, inapropriada para uma criança;

✓ brincadeiras sexuais persistentes com amigos, animais e brinquedos;

✓ desenhar órgãos genitais com detalhes e características além de sua capacidade etária.

Como visto acima, há vários tipos de comportamento que podem ser observados em crianças que foram abusadas sexualmente, porém são apenas norteadores que indicam risco de violência sexual. Estes comportamentos vistos de forma isolada, não significam necessariamente que a criança tenha sofrido algum tipo de violência. Porém, é um alerta para ser melhor investigado e buscar ajuda profissional.

Pais/Educadores fiquem atentos!

Estejam abertos às perguntas e curiosidades das crianças. Primeiro, entenda a pergunta, verifique o que ela quer saber. Depois, devemos responder as questões de forma objetiva e correta, e se não souber seja verdadeiro, só assim, criaremos uma relação de confiança com os filhos.

 

Confira no Canal do Youtube o nosso bate papo sobre Sexualidade

 

Marina Azôr Dib

Psicóloga Infantojuvenil

Rua: Novo Horizonte, 656

Tel: (34) 99131-8666

*O Instituto Cores (http://institutocores.eadbox.com/)disponibiliza cursos e livros voltados para temática do abuso sexual. Inclusive um dos livros chamado Pipo e Fifi (https://www.pipoefifi.com.br/) já ganhou diversos prêmios. Outro livro muito adequado – O que eu já sou capaz de fazer: Aprendendo sobre o desenvolvimento infantil e a prevenção de abuso – das autoras Cristiane Flôres Bortoncello, Neusa Aita Agne e Fabíola Salustiano .

By | 2018-07-17T20:20:18+00:00 maio 31st, 2018|Papo de mãe|2 Comentários

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2 Comentários

  1. Carla castro 18 de julho de 2018 em 10:40- Responder

    Bom dia Marina!
    Adorei o vídeo. Continue abordando matérias como essa e de muita ajuda para nós, mamães.
    Vou comprar os livros para meu filho de 8 anos, acho muito importante ele se informar sobre te. Obrigada…sucesso pra vc!

  2. Carla castro 18 de julho de 2018 em 10:41- Responder

    “Sobre tudo”( correção)

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