Como falar sobre Sexualidade para Crianças e Adolescentes

É muito comum essa angústia e dúvida por parte dos pais/ educadores ou responsáveis. Muitos questionam se devem esperar a curiosidade ser manifestada ou se devem falar antes. E muitos têm consciência de que se não abordarem o assunto, outros abordarão talvez de maneira inadequada e inapropriada.

Outro questionamento frequente refere-se à insegurança de se abordar o assunto e isso ser um estímulo ou um despertar para a erotização precoce. Porém, hoje considera-se fator de proteção e de responsabilidade a inserção da Educação em Sexualidade para crianças a partir dos 3 anos de idade, através de leituras de livros específicos e adaptados para cada faixa etária, vídeos psicoeducativos, histórias sociais e diálogo claro e objetivo. Está comprovado que crianças sem Educação em Sexualidade estão mais vulneráveis ao abuso sexual.
Sendo assim, uma conversa sobre o assunto não incentiva. Só tornará a criança mais conhecedora do seu próprio corpo, sabendo diferenciar os tipos de toques, noções de respeito e autocuidado, propiciando para a adolescência o início de uma vida sexual mais responsável e saudável.

Impactos da escassez de informações sobre o desenvolvimento da Sexualidade Humana…

– Iniciação Sexual Precoce
– Sexo desprotegido
– Vulnerabilidade aos riscos de contaminação e/ou aquisição de ISTs/AIDS
– Gravidez inoportuna
– Violência e exploração sexual
– Sexo virtual e práticas de exposição exacerbada na internet/ redes sociais
– Uso de álcool e outras drogas
– Preconceitos, mitos e tabus
– Canalização de angústia e ansiedade pra sexualidade erotizada.

A exposição ao contato prematuro com pornografia é considerada abusiva e violenta. 

Nesse sentido são necessários alguns cuidados, lembrando que só se deve apresentar conteúdos adequados a cada faixa etária , prevenir a criança da cena sexual dos pais, clareza e verdade nos questionamentos e quando se fizer necessário instalar aplicativos de bloqueio para conteúdo impróprio para menores nos veículos de acesso à internet utilizados pela criança. Por outro lado, a supervisão constante também faz-se necessária. Saiba com quem seu filho conversa, conheça os amigos, as redes sociais e o histórico de navegação na internet.

A sexualidade da pessoa com deficiência.

Sabe-se que a maturação sexual acompanha mais o desenvolvimento cronológico e hormonal do que o cognitivo e mental – assim sendo as pessoas com deficiência, como qualquer outra pessoa, tem necessidades naturais de expressar sua sexualidade, porém o que lhes compromete é a dificuldade que apresentam na capacidade de aprendizado, na independência, estabilidade emocional, habilidades sociais e nas funções executivas, o que muitas vezes acaba reforçando um certo grau de constrangimento social e familiar.
Apesar dessas diferenças, grande parte é capaz de aprender a desenvolver algum nível de habilidade social e conhecimento sexual. Isso pode incluir habilidades para diferenciar comportamento apropriado e não apropriado e para desenvolver um senso de responsabilidade de cuidados pessoais e relacionamento com os outros, de expressão da afetividade, de construção da auto-estima e do bem-estar.

Uma nova abordagem da sexualidade na Educação Escolar

A escola é um lugar privilegiado pra educação, pois é frequentada pela imensa maioria das crianças e adolescentes por um longo período de suas vidas. Criar espaços para reflexão e debate no ambiente escolar pode ajudá-los a passar por essa fase com menos angústias e turbulências, e sem precisar transformar a sexualidade em expressão de rebeldia.

Porém, para isso é necessário primeiro romper com a hipocrisia de que adolescente não sabe nada sobre sexo. Em seguida, enfraquecer o pânico moral contemporâneo criado por conceitos inexistentes e inadequados e desconstruir estereótipos e visões preconceituosas que são heteronormatizadas pela sociedade. Somente assim haverá a possibilidade real e efetiva dos adolescentes confiarem para eliminar suas próprias inseguranças e questionamentos.
Por fim, a sexualidade não deve ser tratada apenas como um problema a ser controlado, e sim como uma parte da formação importante das crianças e adolescentes, sendo reconhecida como parte dos direitos humanos e dos direitos sexuais e reprodutivos.

 

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por Marina Soares Remiggi

*Psicóloga atuante na área clínica com ênfase em PsicoTerapia Sexual e Consultoria em Saúde e Educação em Sexualidade, Gênero e Diversidade . Coordenadora do Projeto AdoleSER: Educação em Sexualidade na Escola. Fundadora e Facilitadora do GEESH – Grupo de Estudos e Eventos em Sexualidade Humana. Membro da Comissão de Atendimento Psicossocial do Instituto Semear Diversidade/ RJ. Afiliada à ABRASEX. Especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e em Psicoterapia Breve pelo Instituto Sedes Sapientiae/SP. Capacitação em Saúde e Educação Sexual pela Vivendo Melhor/SP. Cofundadora, Membro da Diretoria e Psicóloga responsável pelo serviço de Psicologia da ONG Laço Azul de apoio aos autistas e familiares de Uberaba e Região.

By | 2018-07-17T20:06:13+00:00 junho 9th, 2018|Papo de mãe|0 Comentários

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